Meu Encontro Com o Irmão da Toca de Assis
Sexta-Feira, 18 Abril, 2008 de Alessandro
Outro dia, me encontrei com um irmão da Toca de Assis. Não foi nada planejado, aconteceu sem querer, mas me deu muito o que pensar.
Eu havia acabado de chegar no hospital, onde deveria dar mais um dia de aula de estágio para um grupo de alunos do curso Técnico em Enfermagem. Detalhe: eram 07:00h da manhã de um domingo!!!
No hospital existe uma pracinha com uma mesa de concreto e uns bancos de concreto em volta, com um quiosque de lanches do lado, e quando olhei, a primeira coisa que me chamou a atenção foi aquele jovem vestindo um hábito marrom, sentado num canto do banco, comendo algo que me pareceu um pão de queijo.
Peguei alguma coisa pra comer e sentei perto, morto de vontade de puxar uma conversa, pois seria uma ótima oportunidade de matar mais um pouco a minha curiosidade religiosa, mas acho que a curiosidade foi de ambas as partes, pois o irmão da Toca puxou assunto primeiro.
Como começamos a conversar, pude prestar mais atenção no religioso. Um rapaz magro, com pouco mais de 20 anos, barba por fazer, rosto cheio de espinhas, a tonsura (aquele corte de cabelo estilo franciscano) recém feita, descalço, o hábito que vestia parecia que nunca havia visto água com sabão. Levando em consideração que eles seguem os ensinamentos de São Francisco, isso não me surpreendeu, pois São Francisco sempre pregou que deveriamos abdicar dos prazeres da carne (o que inclui um bom banho, a não ser quando muito necessário), e não fazer uso do mínimo de conforto, como não lavar os hábitos, dispensar o uso de chinelos, sandálias ou sapatos, entre outras coisas (muito parecido com alguns ramos do budismo, diga-se de passagem).
Quando meus alunos chegaram, me despedi do Irmão da Toca, e fui para a aula, mas fique remoendo algumas coisas que conversamos o resto do dia.
O irmão realmente não tinha mais do que 21 anos, segundo o que ele me disse, ele havia entrado para a Toca com 17 anos e passado dois anos como noviço, e fazia dois anos que ele havia recebido os seus votos. Disse que desde criança ele sentia o chamado (vocação?) para servir a Deus, mas só com 17 anos foi que ele conseguiu entrar em contato e começar o noviciado.
Mas o mais interessante, e o que me fez pensar muito, é que ele disse que se sentia muito feliz com o caminho que tinha escolhido, de servir ao próximo, sem receber nada em troca, vivendo na pobreza.
Com isso comecei a analisar a minha vida: eu trabalho de segunda a sexta, das 07:00h às 16:00h, dou aulas nos cursos de técnicos de enfermagem do Senac e da Escola Santa Bárbara, todas as noites, de segunda a sexta, e dou aulas de estágio nos finais de semana, tendo folga somente nos fins de semana que não tem estágio agendado, e tudo isso pra quê?
Vocês bem que poderiam responder que é para ter um salário melhor, conseguir uma melhor condição de vida, mas de que jeito, se eu mal e mal vejo a minha esposa e o meu cachorro, meus bonsais eu molho somente quando chego da escola, às 22:00h? Tenho um padrão de vida razoável, não tenho dinherio sobrando, mas também não tenho dívidas, mas tudo às custas de muito trabalho, e eu não consigo me sentir feliz como aquele irmão da Toca se sente. É incrível, mas eu pude perceber o quanto os olhos dele brilhavam quando ele falava sobre as coisas da Toca de Assis, sobre a vida simples e dedicada que ele havia escolhido para si, e como ele se sentia bem com aquele estilo de vida.
Não vou dizer que eu trocaria tudo para ser um religioso, pois acredito que não seja essa a minha vocação, mas vendo a felicidade deste irmão, começando seu caminho religioso, me lembrei de uma passagem de um livro sobre Taoismo que li a alguns meses: “O segredo da felicidade está nas coisas simples da vida, e uma vida simples é uma vida feliz”.
PS: como eles não levam dinheiro junto com eles, o pão de queijo e o café que o irmão estava tomando quando começamos a conversar foi uma oferta da dona do quiosque. Se ela não tivesse oferecido este alimento, ele ficaria ali, sem comer, e sem mendigar, pois estaria inflingindo uma das regras da Toca, segundo o que me disse.
Ola, paz e bem
Sou um leigo da Toca de Assis, sou casado e tenho uma filha, gostei muito do seu comentário, mas só não concordo com o fato das vestes(roupas) estarem sujas, conheço os religiosos da Toca de Assis a mais de 7 anos, e posso te afirmar que as vestes são lavadas diariamente, pois como cuidam de moradores de rua e dão banho em doentes, precisam de uma boa higiene.
Bom mas isso não é o mais importante, o que tenho a falar que mesmo sendo mestrado, nunca vi felicidade e amor a vida como a deles.
Jovens que doam sua vida pelo proximo, são felizes fugindo do que o mundo quer que acreditemos, como casa boa, roupa nova e de grife, status e ter uma vida melhor.
Peço que pensem o que é uma vida melhor, passar vida trabalhando para no fim da vida, se é que saberemos quando é o fim , ou ter o suficiente para viver com alegria, paz e felicidade.
Conheci a Toca de Assis, através de alguns religiosos como você, e tive a curiosodade de conhecer o trabalho deles, e o por que de uma vida tão diferente do que o normal, cheguei a conclusão que o que faz com que esses jovens, familias (como a minha) tenha o suficiente para serem felizes , é Jesus Cristo e a Adoração ao Santissimo Sacramento, que é o Corpo e o Sangue de Cristo (João 6,55-56).
Hoje trabalho, mas não com a intenção de conquistar o mundo, mas busco apenas o suficiente para viver o hoje, de maneira em que possa dar mais valor a minha família, a ter um lazer , ver o crescimento de minha filha e ver o dia passando , visitar amigos, caminhar no parque, ajudar o proximo e amar a Deus.
Sugiro a todos que após ler esse comentário, busquem conhecer a Toca de Assis, e não se arrependerão.
Fernando
Brasília - DF
este comentário é muito importante para nós como reflexão para a vida. Gostaria de escrever mais, mas o tempo não me permitido, mas voltarei logo…
Fique com Deus…