As Velas e Os Incensos
Quarta-feira, 9 Abril, 2008 de Alessandro
Cada vez mais as velas e os paus de incenso estão presentes no interior das casas e na vida das pessoas: são usados para dar ambiente, conferindo um toque de requinte, intimidade ou exotismo; para purificar o ar e eliminar maus cheiros; pelas suas qualidades de espiritualização do ambiente; como acessórios em atos ritualísticos mágicos ou divinatórios, ou simplesmente associados à oração ou meditação. Diversos livros e inúmeras páginas na internet realçam as suas qualidades protetoras, edificadoras ou atratoras de boa sorte e diversas outras benesses. Quer atrair dinheiro? Use, por exemplo, incenso de noz-moscada ou de vetiver, e se queimar incenso de violeta (não cor, mas planta) vê a sua elevação espiritual facilitada. Neste último caso, se não se quiser um incenso, pode-se optar por acender uma vela de cor violeta e orar a um determinado anjo classificado em diversas obras de esoterismo popular como sendo o mais indicado para este assunto, e conseguirá com menos esforço atingir os seus objetivos. Até parece estranho como pode alguém acreditar que sem velas acesas ou pauzinhos de incenso fica mais difícil chamar a atenção de Deus ou de um arcanjo ou mesmo anjo, mas é assim que as coisas são apresentadas atualmente. Por outro lado, raramente é referido como as velas ou os incensos são especialmente adequados para atrair a atenção de seres elementais ou desencarnados, o que constitui uma das razões para o seu tão amplo uso em atividades mágicas, bastante dependentes da ação de elementais ou de espíritos.
Quais são então as reais funções das velas e dos paus de incenso nas atividades ocultas e mágicas?
A) As velas acendem-se para:
– facilitar a concentração num trabalho de magia, nomeadamente por permitir à pessoa concentrar-se na chama ou por propiciar uma concentração das energias etéricas e mentais do próprio mago, fortalecendo assim o processo ritualístico
– conferir um visual mais carregado simbolicamente e gerador dum ambiente mais mágico
– fornecer energia para o processo mágico, quer vinda da própria vela quer de outros elementais assim atraídos (especialmente as velas de sebo ou de cera de abelha)
– atração de entidades desencarnadas que costumam ser responsáveis por diversos trabalhos pedidos.
É especialmente por esta última razão que muitos antigos curandeiros populares sempre nutriram certa desconfiança perante o uso das velas em rituais, aconselhando antes de mais que elas fossem acesas nas igrejas e não em casa. E na Umbanda afirma-se que nunca se deve acender vela para o anjo da guarda, ou para lançar os búzios, por exemplo, sem ter um copo de água ao lado, para absorver as energias negativas. Igualmente, a razão para alguns tratados de feitiçaria proporem que trabalhos com velas sejam realizados em encruzilhadas é na crença que os espíritos assim atraídos não consigam perceber qual o caminho que o feiticeiro leva de volta a casa, não o podendo importunar mais tarde. Já quando a vela é acesa na igreja fica a esperança que os seres carentes atraídos dessa forma poderão beneficiar dos eflúvios espirituais e auxiliadores presentes nesses locais. Acender uma vela é, na verdade, como ligar luzes de néon (ou um farol) no astral a indicar a qualquer entidade próxima que há alguém a interagir com os mundos supra físicos. E que tipo de seres desencarnados andam preferencialmente junto à crosta terrestre ou estão mais atentos aos desenvolvimentos mundanos dos vivos? Não serão os de maior calibre espiritual certamente, mas sim muitos dos designados «apegados a terra». Atrair elementais ou espíritos desencarnados, especialmente para satisfação de desejos pessoais sempre foi uma aventura repleta de riscos e conseqüência negativas, e sem qualquer vantagem para alguém que procura seguir um caminho espiritual.
Com o advento da energia elétrica e a eliminação das velas como fontes de iluminação, a humanidade ganhou não apenas uma forma de iluminação mais segura em termos de riscos de incêndio, ou causadora de menor poluição do ar doméstico, mas também em termos duma diminuição das infestações de baixo nível espiritual sempre favorecedoras de padrões de degradação, conforme refere Max Heindel na sua obra Coletâneas de um Místico.
No entanto, as velas continuam a ter um papel ativo na vida de muitas pessoas, seja em momentos mundanos, ocasiões românticas ou atividades esotéricas ou religiosas; e se não se consegue passar sem elas, pelo menos algumas medidas minoradoras dos riscos podem ser tomadas, não acendendo velas:
– para pedir dinheiro e bons negócios, amores ou coisas do gênero (como tantas vezes se vê escrito em livros e em revistas); um a to de magia para fins egoístas e mundanos é sempre um ato de magia negra, e o uso da vela apenas favorece a aproximação de entidades trevosas com todas as conseqüências negativas daí advindas.
– para situações de adivinhação
– de sebo (esta em particular é muito danosa pelo tipo de elementais que atrai) nem de cera de abelha. Por vezes recomendam-se em alternativa as de parafina, mas como estas constituem um grave perigo para a saúde humana – ver mais pormenores adiante — começam a surgir ceras feitas de soja, como alternativa menos perigosa, em todos os sentidos.
– em nome de pessoas mortas (principalmente se fora das igrejas; em casa é muito perigoso)
– com animais e crianças por perto (maior facilidade em aderirem desencarnados)
– em locais contaminados, impuros e desprotegidos (onde houve violência, perversões, atos de assassínio ou de suicídio, consumos de drogas, alcoolismo, jogos de azar, etc.); evitando também espaços domésticos onde se verificaram recentemente discussões e zangas ou foram fortes os sentimentos de inveja, ciúmes, ira, etc.
Outras medidas profiláticas passam ainda por apenas usar uma vela benzida por um padre ou de alguma outra maneira protegida e purificada.
Ainda há quem afirme que uma vela acesa ao nível do solo é mais perigosa do que uma acesa a vários metros de altura. Esta idéia deriva do fato de se saber que os seres trevos os estão mais ligados às zonas astrais inferiores coincidentes com o nível do solo, mas isso não quer dizer que todos eles estejam tão limitados em termos de deslocação vertical e muitos elementais e outros seres não o estão seguramente.
Por último, e numa perspectiva meramente física, estudos recentes têm demonstrado que o uso habitual das velas pode ser causa de problemas sérios de saúde. Apesar de ainda pouco conhecido pelo público em geral, as velas contribuem com algo mais do que apenas aroma, luz e calor para o ambiente, pois também libertam diversos compostos químicos altamente poluentes (benzeno, acetona, cresol, etilbenzeno, fenol, estireno, entre outros) metais pesados como o chumbo (usado no pavio especialmente de velas aromáticas e para cerimônias) e diversas outras partículas sólidas em suspensão, causando especialmente problemas de ordem imunitária, respiratória, sanguínea e neurológica quando usadas de forma rotineira e/ou concentrada. Uma vela de parafina, por exemplo, é feita a partir das frações de petróleo que são rejeitadas para a produção de gasolina, libertando muitas partículas e gases tóxicos semelhantes aos do gasóleo. E pensar que em muitas sessões terapêuticas de medicina alternativa as velas costumam estarem presentes…
B) O incenso acende-se para:
– purificar o ambiente de energias negativas
– ajudar a elevar a Deus as preces feitas
– facilitar a meditação
– levar até Deus um aroma agradável de louvor (missa católica, por exemplo)
– adorar seres divinos (hábito presente em diversas religiões, tanto no presente como no passado), pois já diziam os antigos egípcios que «os deuses amam as fragrâncias» ou que o incenso é o “suor dos deuses que cai sobre a terra”.
– favorecer a materialização ou um maior contacto com a matéria de entidades supra físicas.
– facilitar a disseminação de vibrações espirituais num espaço fechado
– prevenção e tratamento de doenças e pragas
O incenso é feito de resinas aromáticas, especialmente de olíbano ou de bálsamo, sendo estas moídas e, muitas vezes, misturadas com outras substâncias como especiarias, cascas resinosas, óleos essenciais, flores e outras partes vegetais, a fim de criar usos específicos e provir à libertação de determinadas substâncias no ar. Além disso, podem ser adicionados outros constituintes menos comuns como vinho, mel ou almíscar (ou musk); este último é especialmente usado quando se pretende criar um efeito fortemente sensual. E nos casos de incensos combustíveis (como os pauzinho ou os cones de incenso que ardem sem necessidade de carvão vegetal) também se torna necessário recorrer à goma arábica para a fase da moldagem. Sabe-se por estudos científicos que o incenso ao ser queimado desprende uma substância
(THL) com notável poder desinfetante, inebriante e anestésico, capaz de, por exemplo, atenuar dores de cabeça ou de dentes. O fenol exalado pelo fumo do incenso de fato atua no córtex cerebral (sede da consciência e da elaboração de informações) e sobre o sistema neurovegetativo (que controla a respiração, o ritmo cardíaco, as funções digestivas e intestinais). Foi comprovado que o THL estimula a serotonina (substância produzida pelo cérebro; um neurotransmissor), sendo que em doses equivalentes às exalações de incenso durante uma cerimônia religiosa, o nível de serotonina aumenta o que, por sua vez, atenua os impulsos nervosos e baixa a freqüência das ondas cerebrais, criando um estado psicofísico que facilita a capacidade de concentração.
Apesar das diversas utilizações práticas de caráter espiritual referidas para o incenso, e dos seus efeitos benéficos, o uso do incenso também pode resultar em problemas ou trazer inconvenientes ao caminho espiritual, devendo esta possibilidade ser tida em conta por quem quer seguir um caminho espiritual. O que mais vulgarmente está na origem desta diferença são as intenções (com que pratica dado ritual ou culto) e a composição do incenso.
Será de esperar que um incenso feito com constituintes grosseiros e pesados, especialmente se forem usadas essências animais, seja pouco favorecedor da espiritualização das vibrações pessoais e do ambiente, e que, pelo contrário, tenda a atrair entidades de baixo nível vibratório.
Não apenas o odor contribuirá para este efeito, como o próprio fumo se torna um meio que facilita o contacto com o mundo físico por parte desses elementais e demais larvas astrais e espíritos degenerados. E os éteres desprendidos alimentam energeticamente essas criaturas.
Também se deve ter em conta que muitos incensos comerciais raramente contêm resinas ou óleos essenciais naturais, sendo antes feitos de essências sintéticas, derivados de petróleo, que, em boa verdade, não trazem grandes (se alguns) benefícios ao utilizador. E que conhecimentos ou precauções estiveram subjacentes à sua preparação? Foram feitas seleções ou foram antes misturas ao acaso, talvez mesmo sem outro objetivo que não o economicista ou o de se conseguir um odor agradável, mesmo que meramente vulgar? Quem não sabe como fazer incenso artesanalmente ou não conhece marcas que ofereçam reais garantias de qualidade talvez seja melhor reduzir ao máximo a sua utilização.
Por fim, e à semelhança do que foi feito para o uso das velas, referem-se algumas descobertas científicas relativas ao uso dos incensos e à sua possível influência na saúde: o incenso emite para a atmosfera mais partículas do que o fumo do tabaco (45 mg por grama queimada, comparativamente às 10 mg por grama de cigarro queimado.
Num templo budista mal ventilado em Taiwan foram encontrados quantidades de um tóxico susceptível de provocar cancro do pulmão (hidrocarbonetos policíclicos aromáticos) 40 vezes maiores do que as encontradas numa casa cujos habitantes fumam tabaco. E concluiu-se ainda que a queima de incenso cria mais poluição do que a verificada num cruzamento rodoviário, segundo declarações em 2001 de Ta Chang Lin da National Cheng Kung University de Taiwan.
Tendo levado também a Igreja Católica irlandesa a decidir ter em atenção o uso de incenso na missa quando esta decorrer em igrejas pequenas e especialmente se estiver presentes pessoas asmáticas. Por tudo o que foi referido é melhor e mais seguro para quem quer elevar-se espiritualmente, e não quer correr riscos desnecessários de intoxicações pelos compostos químicos emitidos pelas velas e incensos, deixar de lado estes artigos, ou reduzir ao mínimo necessário e com as devidas precauções referidas o seu uso. Um verdadeiro mago ou ocultista que procura desenvolver as suas capacidades de forma íntegra e eficiente não precisa de velas nem incensos, nem mesmo de quaisquer outros acessórios ritualísticos, mais próprios de iniciantes sem grande capacidade de concentração, pois busca apenas adquirir e usar o poder de uma mente bem treinada. E também cada vez mais os devotos percebem que as fragrâncias que Deus prefere mesmo são orações verdadeiras e não tanto essências aromáticas.
Fica ainda um triste exemplo encontrado num site «espiritual» na internet sobre como alguns (certamente poucos) magos ou comerciantes podem reagir a estas questões: «Se algumas pessoas sentirem-se incomodadas com o perfume ou até mesmo acabarem brigando com você, lembre-se de que o gênio contrário ou os espíritos inferiores não suportam ficar no mesmo espaço físico onde existam perfumes mágicos e acabam tentando fazer com que o seu uso seja interrompido.» Ou seja, reagir contra o uso de incensos é correr-se o risco de se ser logo alcunhado de espírito inferior e pouco evoluído, ficando para essas pessoas o assunto resolvido, sem mais delongas nem preocupações com as razões que possam existir. Mas talvez haja quem pense que ser-se simplesmente asmático seja um sinal indicativo de que se é um espírito inferior…
Gostei da abordagem ampla do assunto.
Tem um meme p/ vc no Blog do Pólinho
http://poloservicos.wordpress.com/2008/05/02/cheirinho-bom/