O Bambu e o Tao
Terça-feira, 8 Janeiro, 2008 de Alessandro
O Bambu simboliza o espirito do Tao por sua inteireza, perfeição, força e suavidade, flexibilidade e harmonia, imutabilidade, perseverança, paciência, constância, modéstia, elevação e vacuidade.
O bambu é perfeito como o próprio Tao, pois contém a Harmonia dos contrastes na sua constituição.
A sua cana é dura no exterior- yang, e vazia por dentro- yin.
Assim, dureza e suavidade, ser e não-ser, combinam-se em seu fino porte.
O tronco do bambu ergue-se ereto e forte e conserva o espirito.
No sábio deixar-se levar com suavidade pela Natureza.
Jamais resiste quando o vento o açoita com rudeza.
E dobra-se a acompanhar o fluir natural, sem se quebrar.
Só se vence cedendo.
Observai um grupo de bambus, em que há pequenos, jovens e Velhos convivendo em harmonia e unidade.
Assemelhando-se a uma grande família; compartilham aquilo que têm e conservam a sua serena individuação.
O caráter espontâneo do bambu é a retidão.
A virtude natural manifesta-se na sua forma de crescimento, sempre reta e para cima, dobrando-se docilmente para iludir os obstáculos.
A sua ascensão, sem ser violenta, é modéstia e dócil, sem pressa e sem pausa.
Desse modo, o seu caráter abnegado e reto é modelo para o sábio.
O espirito nobre do bambu vê sempre adiante como o tempo que jamais regressa, o seu crescimento não se detém, nem retrocede no seu tronco, ramos, folhas e nervuras.
Nunca encontraremos direções opostas nem convergentes, toda a sua energia se manifesta numa mesma direção com perseverante integridade.
O ritmo inconsciente leva-o a fixar alto a sua meta, rumo ao Universo.
As folhas do bambu são finas e suaves, mas jamais se abatem.
Não se deixam vencer nem caem.
Mas resistem com suavidade à chuva, neve e ventanias.
O brando e o frágil triunfam sobre o forte.
Tal é a lei do Tao.
Como o revelam as aguas brandas, que vencem as pedras Duras.
O bambu simboliza a longa vida natural, o imutável e o imperecível.
Verde é a sua cor em todas as estações do ano.
Jovem, o seu espirito, que o mantém íntegro e fiel a si mesmo.
Para além de toda a mudança exterior.
Os nós da cana de bambu representam o controle sobre si mesmo.
Um ponto de reflexão acerca do caminho vital no ciclo alternado dos contrastes do universo.
A atividade é expressa no repouso e a expansão da energia exprime-se na contração.
Um simboliza o aspecto Yin e o outro Yang: isso é o Tao.
Refletir sobre a distância percorrida é também modelo de Flexibilidade.
A proximidade dos seus nós difere ao longo da sua superfície.
Estando mais juntos próximos da sua extremidade, o controle da vida acha-se simbolizado nos nós e ramos da cana.
Na infância, próximo da terra; na velhice, próximo do céu, é necessária uma reflexão inocente e natural, diante de cada passo a dar.
O sábio que possui a virtude plena sempre se assemelha a um recém-nascido.
O neto apoia-se no avô porque este possui a virtude da experiência da vida.
O avô prodigaliza ao pequeno amor e cuidados em excesso.
No movimento de retorno a sua vida tem continuidade no pequeno.
O sábio observa no bambu um modelo de constância e permanência.
Em seu paciente fluir é colocado à provaPelos ventos, pela chuva, pelos nevões e pelo calor abrasador.
Sempre a acomodar-se com suavidade e sem resistir.
Mantendo dessa forma a sua integridade.
Do mesmo modo, o bambu age sem ação e ensina sem Palavras.